A Avenida Atlântica não tem ponto fixo, assim como suas prolongações Vieira Souto e Delfim Moreira. Teoricamente os ônibus param em todas as esquinas onde houver passageiro acenando ou querendo descer. Portanto há meses pego o ônibus na esquina com a Djalma Ulrich e quase sempre eles costumam parar.
A esquina onde pego ônibus e torço para ele parar todo diaAnteontem, no entanto, quando eu já havia saído atrasado de casa, não foi assim. Fiz sinal para um S-20, que passou por trás de outro ônibus. Nem meu aceno agressivo o fez parar - quando sinto que o ônibus vai passar direto costumo entrar na pista dos carros com o braço levantado até o limite que me garante que não serei atropelado; na maioria das vezes funciona. Desta vez, o motorista balançou os braços de volta, como quem culpa o carro que estava na pista da direita por sua atitude de não encostar o ônibus.
Poucos minutos depois veio outro S-20, desta vez na pista da direita. Acenei com menos vigor, pensando que não haveria motivo para que ele passasse direto. Me enganei. O motorista não parou e gesticulou muito, como o anterior. Cogitei se, de um dia para o outro, a empresa havia estipulado pontos fixos para o S-20 na praia.
O 382 que veio a seguir tirou minha dúvida. Logo que acenei, já apreensivo e ainda mais atrasado para o trabalho, o motorista encostou e abriu a porta. Faço a transcrição do diálogo a seguir numa espécie de módulo SAP, já que o português rudimentar do motorista não era muito fácil de se entender.
- Oi, amigo, aqui ainda é ponto?
- Ah, aqui não tem ponto certo, não. Onde o passageiro fizer sinal a gente pára.
- É que eu fiz sinal e o S-20 passou direto duas vezes.
- É, eles passam direto mesmo.
- Mas como eu faço então?
- ...
- Acho que tenho que contar com a sorte, né?
- É, é na sorte mesmo.
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